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Alfabetizar não é ensinar a ler e escrever

Alfabetizar não é ensinar a ler e escrever

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Data: 23 de Novembro 2020

Alfabetizar não é ensinar a ler e escrever 



Fazendo uso do tempo necessário e levando em conta suas próprias experiências, a criança desenvolve a capacidade de utilizar a língua e a escrita, tornando-se mais competente para compreender e se expressar. Assim, a alfabetização permite à criança levantar hipóteses que são pertinentes à realidade dela. É por meio da experimentação e do erro que ela acerta, exercitando o raciocínio lógico, a criatividade e a imaginação.

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Portanto, são visíveis as vantagens de se alfabetizar uma criança pelo método interacionista. Nas séries seguintes, ela já se aventura por conta própria. Está capacitada para colocar em palavras seus sentimentos e pontos de vista, e os faz em textos gramaticalmente mais corretos e com melhor argumentação. E não para mais, adquirindo progressivamente um domínio melhor da linguagem escrita, o que trará grandes benefícios para a vida escolar e profissional.

Como as crianças aprendem a ler

Provavelmente, você que é mãe ou pai aprendeu a ler assim: primeiro as vogais, depois as consoantes. Juntavam-se as letras para formar as sílabas, e as sílabas para chegar à palavra. “B” com “o”, Bó; “l” com “a”, lá: fica “bo-la”. Mas hoje as crianças aprendem a ler de um jeito diferente.

Primeiro elas conhecem a palavra bola, por exemplo, seu som e seu significado. Elas ouvem histórias, desenham, veem imagens, brincam e, aos poucos, têm contato com a escrita. “Com o tempo, a criança faz associações. Ela sabe que o “b” de bola é o mesmo “b” do nome da coleguinha, a Bia. Ela já viu o “b” em outros momentos e conhece seu som, o que torna mais fácil o aprendizado”, explica Hannyni Mesquita, coordenadora pedagógica da Educação Infantil, no Colégio Positivo Ambiental, em Curitiba.

Durante os quatro anos da Educação Infantil, o conteúdo é proposto de diferentes formas pelas professoras e as crianças aprendem a ler com jogos digitais, trabalhos manuais, cinema, leitura, desenho, pintura, preparo de receitas. “Isso torna o aprendizado mais leve. A criança tem prazer em descobrir e, com o tempo, quer se comunicar, escrever ou ler a própria história. Cada uma do seu jeito e no seu tempo”, orienta Hannyni Mesquita.

Quando chega a fase da escrita nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, os primeiros traços são com letras de forma, ideais para essa etapa, pois são mais simples. “A letra cursiva só entra quando o aluno tem pleno domínio da escrita, porque exige mais habilidade e coordenação motora”, explica a coordenadora.

Existe um tempo certo para aprender a ler e a escrever?

Essa preocupação é constante em muitas famílias. Os pais ficam inseguros quando a criança leva um pouco mais de tempo para ler ou escrever. Se esse é o seu caso, muita calma. Cada aluno tem seu tempo de aprendizagem e esse tempo precisa ser respeitado.

Quando existe pressão excessiva para que a criança aprenda, ela pode perder o estímulo e a curiosidade em descobrir. Se o processo acontece de forma natural, quando menos os pais esperam, o filho está lendo. “Cada criança desenvolve um tipo de habilidade: uns falam mais, outros escrevem melhor, outros sabem ouvir. É natural que uns escrevam ou leiam mais rápido que os outros”, afirma Hannyni.

Alfabetizar muito cedo pode trazer reflexos negativos às crianças

Assistir aos filhos ganharem autonomia enche pais e mães de satisfação, mas também gera ansiedade e preocupação. Engatinhar, andar ou falar são habilidades que as crianças adquirem cada uma a seu tempo. Por maior que seja a expectativa, cabe às famílias oferecer tranquilidade, estímulo e carinho, mas aguardar o ritmo natural da criança. Com o letramento é a mesma coisa. A alfabetização é uma das autonomias mais esperadas, mas é preciso entender que antecipar ou forçar esse processo pode trazer reflexos negativos para o futuro da criança.

Aprender a ler e a escrever é resultado de uma caminhada na qual brincadeiras, desenhos, jogos e contações de histórias são essenciais. Essas formas de interação são combustíveis para a curiosidade, a criatividade, a espontaneidade e a coordenação motora. Por isso, devem anteceder o ensino da leitura e escrita, na Educação Infantil, deixando esse objetivo para o 1º ano do Ensino Fundamental.

Quando a alfabetização é imposta de forma precoce, há um cenário propício para a formação de estudantes robotizados e desinteressados: alunos que leem, mas não compreendem, que leem superficialmente sem capacidade de concentração. Tais características estão refletidas no Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), realizado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa. O estudo, de 2018, mostra que três em cada 10 brasileiros não têm domínio pleno de habilidades básicas de leitura, escrita e matemática.

A deficiência na interpretação de textos prejudica não apenas a habilidade de elaborar um texto coeso e coerente, mas o desempenho em outras disciplinas, como a matemática. Ler com atenção e entender o enunciado, por exemplo, é fundamental para conseguir resolver um problema.

Seu filho compreende o que lê?

Alfabetizar uma criança de forma mecânica, sem respeitar o seu ritmo e levar em conta a sua bagagem e maturidade emocional, acaba fazendo com que ela apenas aprenda a juntar as palavras de forma artificial. Embora se torne capaz de ler uma frase, é incapaz de compreender o seu significado. Uma das consequências disso é um número cada vez maior de alunos que chegam ao Ensino Médio sem conseguir compreender enunciados ou construir um texto coerente. Dados do Ministério da Educação mostram, todos os anos, a fragilidade de alunos quando se trata de leitura, escrita e interpretação de textos. Entre os milhares de estudantes que fazem as provas do Enem, por exemplo, uma parcela cada vez maior tira nota zero na redação.

O processo de alfabetização é uma etapa delicada e decisiva na vida de uma criança. Quando se oferece um aprendizado em que pode opinar, questionar e confrontar, ela ganha autonomia, desenvolve o senso crítico e tem melhor desempenho escolar. Isso tudo gera impacto positivo também na aprendizagem de outras disciplinas. Matemática, Química e Física não são feitas apenas de números e fórmulas; também precisam da linguagem verbal para serem compreendidas. Afinal uma criança bem alfabetizada, que domina a leitura e a interpretação de textos, está pronta para aprender e compreender o que surgir pela frente.

Dicas práticas para ajudar os filhos a ler e a escrever

Na fase da alfabetização, é importante ter cuidado com a maneira de estimular as crianças. Na escola, uma metodologia muito especial é seguida para alfabetizar: aprender brincando. Mas e em casa, como ajudar os filhos a ler e a escrever? Confira estas dicas que preparamos.

Conte histórias

Desafie seu filho a fazer perguntas e a falar sobre a história. Pergunte se ele pode adivinhar o que vai acontecer em seguida com os personagens ou as situações da trama. Estimule a associação com o seu dia a dia. “Veja este avião que legal… você se lembra do avião que vimos outro dia?”.

Faça com que a criança tenha acesso aos livros

Dessa forma, ela tem autonomia para “viajar” na história sempre que quiser. Não se importe se ela desenhar ou riscar algumas páginas; pelo contrário, pergunte qual história ela quis contar e se surpreenda com a resposta.

Filmes, gibis e teatro

Além dos livros, apresente outras formas de leitura que mexem com a imaginação e estimulam a criatividade.

No trânsito

Escolha uma letra do alfabeto. Logo depois, junto com a criança, procure placas em que essa letra aparece no trajeto da escola até em casa, por exemplo.

Bilhetes

Escreva bilhetes simples e espalhe pela casa: “Eu te amo”; “Cuidado”; “Não se esqueça de lavar as mãos” são ideias que podem ajudar na rotina.

Lista de atividades

Escreva as atividades do dia (acordar, tomar café, escovar os dentes, brincar) em uma cartolina e fixe-a na parede do quarto. Aos poucos, a criança começará a identificar as letras e a fazer associações com a forma como outras palavras são escritas.

Bibliotecas e livrarias

Leve seus filhos para conhecer bibliotecas, leiam juntos e curtam o momento. Nas livrarias, quando possível, passem algum tempo observando as capas, escolhendo títulos para fazer uma leitura no próprio ambiente. Deixe que eles escolham seus livros favoritos, folheiem e, se possível, leve algum título para casa.

 

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